Confusão e troca de tapa na eleição da Câmara de Piancó, e a polícia teve que intervir

Irmão do atual presidente foi eleito, mas vereadores da chapa derrotada alegam fraude na apuração dos votos

Fonte: Folha do Vale
Momento que a PM prepara o 
relatório na delegacia de Itaporanga.
 (Foto: Folha do Vale)
A eleição para a presidência da Câmara de Piancó foi realizada no começo da noite desta quinta-feira, 1º, e começou tranquila, mas terminou na delegacia, depois de uma grande confusão, onde a Polícia Militar teve que intervir para evitar o pior.
Dois candidatos disputaram a presidência: Pedro Aureliano (PMDB), aliado do prefeito Sales Lima, e Guilherme Montenegro (PRTB), oposicionista e irmão do atual presidente da Câmara, Dr. Rato, que não pode disputar a reeleição porque vem de dois mandatos consecutivos.

A eleição transcorreu tranquila até a apuração dos votos. O presidente Rato anulou dois votos que seriam intencionados a Pedro, alegando que as cédulas haviam sido preenchidas pelos votantes de maneira errada e, por isso, não teriam validade. Com isso, Guilherme Montenegro, seu irmão, foi proclamado eleito por cinco votos a quatro.

Mas, mesmo antes do presidente encerrar a sessão, começou o tumulto: o candidato derrotado e seus aliados começaram a protestar, houve xingamentos mútuos, empurra-empurra e troca de tapas. O presidente Dr. Rato e Daniel Galdino, filho da ex-prefeita Flávia, tentaram deixar o local com a ata da sessão e as cédulas de votação, momento que partidários do candidato Pedro tentaram impedi-los, ocorrendo confronto físico.

Neste momento, policiais militares, acionados pelo vereador Pádua Leite, interviram e apreenderam a urna, e alguns dos envolvidos acompanharam a polícia até a delegacia, mas, quando a caixa foi aberta, veio a surpresa: a urna estava vazia, porque, agilmente, Rato, em meio ao tumulto, teria conseguido pegar as cédulas de votação e o livro de ata e corrido para sua residência. Por falta de delegado em Piancó, o caso foi encaminhado para a delegacia de Itaporanga, onde a PM preparou um relatório para a apreciação do delegado, que vai apurar o fato.

O advogado de Pedro deverá recorrer à Justiça para impugnar o resultado da eleição pela postura questionável do presidente dos trabalhos na anulação dos votos e também por entender que a sessão não chegou a ser concluída, segundo ele. "A eleição não foi concluída em face do tumulto, e agora a Justiça é quem vai decidir", comentou dr. Marcílio Batista.

No curso da sessão, antes do tumulto, o presidente chegou a dizer orgulhoso que a urna era uma caixa de sapato e que já havia lhe dado duas vitórias, e, minutos depois, terminou lhe dando uma terceira conquista, agora com o seu irmão. É uma caixinha de surpresas, mas de dentro dela também sai motivos para muita confusão.