Associação repercute áudio de sargento e diz que policiais foram usados em condições de trabalho “análogas à escravidão”


Segue rendendo o desabafo do Sargento Belo em redes sociais, em que denunciou perseguições na corporação, uso de policiais da reserva na segurança de presídios e desafiou o comandante-geral, Coronel Euller, a abrir processo contra ele. A Assemp emitiu nota essa sexta-feira (dia 16), em que critica o uso dos policiais na GMR (Guarda Militar de Reserva), com claro “desvio de função”.

Segundo a Assemp, a utilização da GMR pelo Governo do Estado “é uma forma possivelmente burlar a Constituição”, com o uso de “mão de obra barata”, e que algumas turmas de policiais trabalharam em condições “análogas à escravidão”. Segundo Zoraide Gouveia, presidente da Assemp, para efeitos institucionais os policiais da GMR deveriam ter os mesmos direitos que regem a corporação PM.

CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DA ASSEMP.

“O desabafo em redes sociais atribuído ao “Sargento Belo” face às perseguições sofridas através dos mais diversos procedimentos administrativos que vem se alastrando nos âmbitos da Polícia Militar em todo Estado, são claras demonstrações que os nervos estão à flor da pele pela forma como são tratados nossos maridos e filhos que se encontram na atividade e na inatividade, especialmente os que se encontram na Guarda Militar da Reserva (GMR), composta na grande maioria por Segundos Sargentos que ao longo dos trintas anos dedicados à sociedade paraibana foram para a inatividade acometidos por diversos fatores de risco, como diabetes, hipertensão, colesterol elevado, obesidade e principalmente pela “idade que é outro fator de risco não evitável, controlável ou tratável, pois com o envelhecimento aumentam os problemas que afetam a saúde do coração e, consequentemente, os riscos de desenvolver doenças também aumentam”, e como se não bastasse, a desvalorização desses profissionais que pelas perdas salariais de mais de 42% dos seus vencimentos são praticamente “obrigados” a retornarem ao serviço ativo para a complementação de sua renda, cujo valor que lhes são pagos é um pouco mais da metade dos vencimentos de um soldado em início de carreira, esses estão pela falta desses soldados na Corporação sendo escalados na função desses para serviço de sentinelas em Guardas Prisionais numa demonstração clara de DESVIO DE FUNÇÃO.

Para efeito institucional os militares da Guarda Militar da Reserva estão sujeitos às mesmas leis e regulamentos em vigor na Polícia Militar, porém não são assegurados a esses os mesmos direitos contidos nessas leis e regulamentos que são 1/3 (um terço) de férias e o 13º (décimo terceiro) salário, na verdade o governo se utiliza do estado de necessidade dos companheiros da reserva para buscar uma MAO DE OBRA BARATA.

As cabeças maldosamente pensantes que criaram a GMR em nosso Estado, como forma de possivelmente burlar a Constituição em vigor, denominaram de “descanso anual” o que por direito é descrito como “férias” fazendo jus a 1/3 (um terço) do valor dos seus vencimentos. Pasmem! As primeiras turmas da GMR viviam em condições análogas a escravidão por não terem direito a férias, hoje denominado do “bondoso” nome de descanso anual.

Deixamos claros que a ASSEMP estará sempre vigilante e pronta para apoiar nossos maridos e filhos, instante em que registramos também o apoio da ASSPOM pela dedicação dispensada à sua categoria e ao Clube dos Oficiais, que através do seu Presidente vem dando apoio não só aos seus associados, mas sim a toda categoria policial militar, principalmente contra injustiças e perseguições.”